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PROFETAS DO FIM DA HISTÓRIA?
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Tempo de leitura 30 minutos

Diante da pandemia, muita gente, de diferentes linhas de pensamento, está procurando sinais e explicações para o que, a meu ver, é fruto de acaso biológico magnificado pela globalização. Místicos, claro, mas nem só. Gente…

Tomemos como exemplo o artigo publicado dia 12 de abril, na “Ilustríssima” da Folha de S. Paulo, com o título “Predadores de nós mesmos”. Resumo: “Ao contrário do que imaginavam os profetas do fim da história, o mundo é dominado por sentimentos de paranoia e angústia. Imersos em nevoeiro, na era em que esgotamos os recursos do planeta, fabricamos a pandemia de nossa própria vulnerabilidade, sem poder culpar um “outro”. O texto foi escrito por Guilherme Wisnik, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

“Profetas do fim da história” é uma alusão a uma linhagem de pensadores que parte de Hegel, no século 19, e mais de cem anos depois chega a Francis Fukuyama, que a revista Exame um dia chamou, com precisão, de “o homem que amamos odiar”. “A tese do fim da história trouxe fama e riqueza”, disse a revista, “mas também a repulsa dos intelectuais de esquerda mundo afora.”

Quanto aos “sentimentos de paranoia e angústia”, não parecem estranhos ao articulista. Há trechos como: “a ameaça está disseminada por toda parte. Ela é invisível, e de difícil detecção e controle, pois revoltas da natureza podem eclodir em toda parte” ou “No momento em que o mundo se torna uma ‘aldeia global’ parece que caminhamos na direção de realizar a profecia ianomâmi de que o céu vai cair sobre as nossas cabeças. Neste mundo em que o globo encolheu, só nos restou o presente comprimido e precarizado”. Que o globo encolheu, é fato. Que esta seja a causa do mundo precarizado, é discutível.

Seria a pandemia uma revolta da natureza contra a globalização? Sério?
Parece que sim.

“O coronavírus surge como um antagonista palpável, obrigando-nos a encarar o mundo de forma ética e coletiva. Pode ser um agente civilizatório num contexto em que o novo militante é o médico sem fronteira, com pathos mais humanitário do que político”, observa o arquiteto.

O coronavírus sugere como um antagonista palpável de quem? Dos “globalistas”? O seu soldado é o médico sem fronteira? O mesmo que literalmente dá a vida para socorrer doentes da Covid?

Guilherme Wisnik diz que não são poucos os pensadores progressistas que estão vendo nesta crise de saúde mundial, que se desdobra em grave crise econômica e social, uma possibilidade de freio, numa escala antes impensável, ao consumo excessivo e irracional. “Isto é, uma contestação ao dogma da acumulação infinita que sustenta o capitalismo”, escreve ele.

Crise de saúde mundial como contestação ao dogma da acumulação?

Yeap.

“Slavoj Zizek, por exemplo, considera que a forte queda das Bolsas de Valores e a quase paralisação da indústria automobilística, por exemplo, podem sinalizar transformações importantes no capitalismo, dando-nos a possibilidade de nos deixarmos infectar por um vírus benéfico: a capacidade de pensar em uma sociedade diferente, menos voltada ao lucro individual e mais guiada por formas de solidariedade e cooperação global (…) Já para David Harvey, de forma complementar, a pandemia representa um ‘colapso onipotente no coração da forma de consumo que predomina nos países mais ricos”, escreve Wisnik. De novo, a bronca parece ser nos “globalistas”: “(…) de 2010 a 2018, como mostra Harvey, o total de viagens internacionais no planeta quase dobrou, passando de 800 milhões para 1,4 bilhão. Com um expressivo investimento em aeroportos, companhias aéreas, hotéis, restaurantes, parques temáticos e eventos culturais e entretenimento, os países centrais sustentaram quase 80% de suas economias”. Se vocês não insistissem em ir todo ano ao SXSW, o mundo estaria melhor…

A paralisação da indústria automobilística, então, seria benéfica? Porque afronta a “forma de consumo que predomina nos países mais ricos”?

É uma visão da pandemia francamente insultuosa para suas vítimas, familiares e sobreviventes. Como expressou naquele mesmo 12 de abril, com humor, Ricardo Araújo Pereira, colunista da Folha, em “A mãe natureza é madrasta: Ela concebeu um agente infeccioso para castigar o nosso estilo de vida”. Talvez, debocha ele, “tenhamos voltado aos tempos em que as pragas se explicavam com a ira dos deuses. Há já algumas semanas que vários místicos vêm fazendo um divertido exercício de ventriloquia virológica e posto palavras na boquinha minúscula do vírus”.

“Apesar de serem, na sua maioria, ateus, estes autores acreditam, ao que parece, que a deusa Gaia, ofendida com as emissões de carbono, o degelo das calotas polares e com o nosso consumo imoderado de gorduras saturadas, enviou o seu filho Corona à Terra, não para redimir os nossos pecados, mas para os assinalar e punir”, continua Pereira. “Provavelmente cega pela ira, em vez de inventar um tsunami que levasse todos os carros a diesel, ou uma praga de gafanhotos que tivessem um particular apetite por infraestruturas petrolíferas, produziu um vírus que é especialmente nocivo para idosos e pessoas com problemas respiratórios.” Exato…

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Alexandre Teixeira

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